Opiniões

“Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” de Taylor Jenkins Reid

Autoria: Taylor Jenkins Reid
Editora: Topseller
1ª Edição: Abril de 2021
Género(s): Romance
Páginas: 432

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Livraria Goodbooks

Sinopse

«Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de Hollywood, agora a aproximar-se dos 80 anos, decide finalmente contar tudo sobre a sua vida recheada de glamour e de uma boa dose de escândalos. Quando escolhe a desconhecida Monique Grant para escrever a sua história, todos ficam surpreendidos, incluindo a própria jornalista. Porquê ela? Porquê agora?

Determinada a aproveitar a oportunidade para impulsionar a sua carreira, Monique regista o relato de Evelyn com fascínio e admiração. Da chegada a Hollywood no início da década de 1950 à decisão de abandonar o mundo do espetáculo 30 anos depois, incluindo, claro está, os seus sete casamentos, a vida de Evelyn é repleta de ambição desmedida, amizades improváveis e um grande amor proibido.

À medida que a história de Evelyn se aproxima do final, torna-se claro que a sua vida está ligada à de Monique de uma forma trágica e irreversível.»

Avisos de Conteúdo: violência doméstica, violência sexual, violação, pedófilia, homofobia, coação, alcoolismo, menções de suicídio;

Apreciação

Capa: ★★★☆☆
Edição: ★★★★★
Escrita: ★★★★☆
Enredo: ★★★★☆
Personagens: ★★★★☆
Responsabilidade: ★★★★☆
Sentimento: ★★☆☆☆
Apreciação Geral: ★★★★☆

Opinião

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um romance cujo título não deixa margem para dúvidas. Dá-nos a conhecer Evelyn Hugo, famosa atriz de Hollywood que aceita revelar os mistérios da sua vida e dos seus sete casamentos a Monique, uma jornalista introvertida, ainda a descobrir o seu potencial. 

É uma história que se torna interessante logo na primeira página, com uma introdução imediata na ação e apresentando o essencial sobre as personagens mais relevantes e os seus respectivos contextos. À medida que a ação vai avançando, são-nos dadas algumas migalhas de informação, o suficiente para nos deixar agarrados e ansiosos por descobrir mais, tendo o cuidado de manter aberta a possibillidade de nos surpreender. A narrativa divide-se entre os pontos de vista de Evelyn, Monique e alguns recortes de jornais e revistas, através dos quais a autora opera saltos temporais e demonstra as consequências das ações de Evelyn e o seu impacto no imaginário da sociedade, o que, na minha visão, constituiu uma crítica brilhante à futilidade dos mídia.

A Evelyn é uma protagonista deliciosa, com uma força tempestuosa, sempre na corda bamba da moralidade, ora pendendo para um lado como para outro, mas com uma narração tão genuína e vulnerável que, ao ler, não conseguimos achar que está errada. Não olha a meios para obter o que quer e tem uma consciência muito sólida sobre o lugar que ocupa no mundo. Monique, por sua vez, acaba por ser relegada para segundo plano e a sua história, sobretudo em comparação com os relatos de Evelyn Hugo, torna-se irrelevante e, digo até, desinteressante, servindo apenas como cenário para, mais tarde, Monique poder refletir a sua evolução como personagem, derivada do convívio com Evelyn.

Os temas abordados variam entre identidade, sexualidade, homossexualidade, racismo, violência doméstica e um retrato abrangente daquilo que é a realidade por detrás do glamour da vida em Hollywood. Há diversidade e há inclusão. Adorei a forma como foram abordados os conceitos de amor e de amar. Foi uma visão muito contemporânea, que desconstrói a noção de “alma gêmea” e nos mostra que nem todos os amores que vivemos são românticos e que nem por isso se tornarão menos intensos e marcantes. A forma como os relacionamentos foram construídos na narrativa reflete isso de forma exímia, sempre descritas com um tempero muito generoso das emoções de Evelyn Hugo, concedendo-nos uma perspectiva da sua vulnerabilidade.

Mais ou menos a meio dá-se uma reviravolta (a tal revelação de que toda a gente fala), mas teve menos impacto do que aquilo que previa. Não foi algo que tenha abalado a história construída até ao momento e não me surpreendeu, de todo.

Gostei muito deste livro, mas cheguei ao final a achar que tinha faltado alguma coisa. Não me consegui envolver emocionalmente com as personagens, nem com o enredo, então não posso dizer que tenha sido uma experiência de leitura que me tenha marcado.

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